Ataque hacker

Chanceler paraguaio nega roubo de informações pela Abin

Segundo Rubén Ramírez Lezcano, o Paraguai não tem provas de que seus computadores tenham sido invadidos. Ele também apontou que informações sigilosas sobre a negociação de Itaipu não foram prejudicadas

"Nós temos a tranquilidade de que as informações que administramos no âmbito de nossas negociações internacionais estão resguardadas", disse o chanceler - (crédito: Divulgação/Ministério das Relações Exteriores do Paraguai )

O chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, afirmou nesta segunda-feira (31/3) que o país não tem nenhuma evidência de que seus computadores tenham sido invadidos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e negou ter havido quebra de sigilo de informações sobre a negociação de tarifas da Itaipu Binacional.

O ministro conversou sobre o caso com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, que descartou qualquer envolvimento do governo atual com a operação da Abin, que teria sido autorizada durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Lezcano, porém, disse que o caso está sendo investigado pelas autoridades paraguaias.

“Nós temos a tranquilidade de que as informações que administramos no âmbito de nossas negociações internacionais estão resguardadas”, declarou Lezcano em nota. “Estamos trabalhando ordenadamente e com todos os elementos que nos permitam proteger a informação de nosso país”, acrescentou.

O ministro disse ainda que a diplomacia paraguaia não se baseia em publicações da imprensa, e que todos os canais de comunicação com o Brasil são de caráter institucional e oficial.  Ele também “ratificou as boas relações entre os dois países”.

O caso foi revelado pelo colunista Aguirre Talento, do portal Uol, na manhã de hoje. Segundo uma investigação da Polícia Federal, agentes da Abin lançaram um ataque contra computadores do Congresso e da Presidência da República do Paraguai, para obter informações confidenciais.

O objetivo seria auxiliar na negociação sobre a tarifa da compra da energia excedente de Itaipu, que o Paraguai queria aumentar. O acordo foi fechado em maio do ano passado, quando o Brasil concordou em pagar mais pela energia comprada do país vizinho, mas menos do que o pedido pelo governo paraguaio.

Governo Lula nega envolvimento em operação

Segundo o depoimento de um servidor da Abin envolvido na operação, coletado pela PF, o ataque ocorreu durante a gestão do  atual diretor da agência, Luiz Fernando Corrêa, indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo federal nega.

Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), a gestão afirmou que a operação foi autorizada pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, e cancelada em 2023, assim que a atual gestão tomou conhecimento da invasão.

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“O governo do presidente Lula desmente categoricamente qualquer envolvimento em ação de inteligência, noticiada hoje, contra o Paraguai, país membro do Mercosul com o qual o Brasil mantém relações históricas e uma estreita parceria”, enfatizou o Itamaraty.

“A citada operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e tornada sem efeito pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato”, acrescentou.

postado em 31/03/2025 16:23 / atualizado em 31/03/2025 16:23
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