HOMICÍDIO

Mãe é acusada de homicídio 55 anos após a morte do próprio bebê

Cartas enviadas ao pai da vítima na época narravam abusos e ameaças de morte contra a criança

Na época, Alice, que tinha então 20 anos, alegou que o filho fraturou o crânio ao cair do berço -  (crédito: Reprodução / Calcasieu Parish Sheriff's Office)
Na época, Alice, que tinha então 20 anos, alegou que o filho fraturou o crânio ao cair do berço - (crédito: Reprodução / Calcasieu Parish Sheriff's Office)

Em 1970, o bebê de 16 meses da norte-americana Alice Rollinson Bunch Idlett supostamente teria morrido ao cair do berço e fraturar o crânio. No entanto, uma reviravolta no caso fez Alice ser indiciada por homicídio e presa na última quinta (27/3), 55 anos depois da morte do filho.

O caso ocorreu em Louisiana (EUA). Atualmente com 75 anos, Alice foi indiciada com a reabertura do caso em 2022. Segundo a revista People, o pai da criança, Earl Bunch Jr., servia na Guerra do Vietnã na época do assassinato e recebia cartas de Alice sobre a relação problemática com o filho. As correspondências foram analisadas pelas autoridades anos depois. 

Earl pediu divórcio em 1983, quando Alice o questionou sobre onde estariam os textos enviados ao homem durante a guerra. No entanto, o pai do menino não alertou as autoridades sobre os conteúdos escritos na época. “Ele testemunhou que aceitou a morte do filho como acidental porque não conseguia acreditar que a mulher que ele amava pudesse ter machucado o próprio filho”, diz o processo judicial, segundo a emissora KFDM.

O caso foi encerrado por falta de provas e permaneceu intocado até 2022. Após a reabertura da investigação, os restos mortais da criança foram exumados e enviados ao FBI para uma autópsia forense. De acordo com a polícia de Sulphur à People, a morte finalmente foi categorizada como assassinato.

No período, o bebê, Earl Dwayne Bunch III, havia sido levado ao hospital em estado de coma e apresentava marcas de mordidas e queimaduras no corpo. "Acabei de chicotear aquele pequeno bastardo. Eu o odeio. Essa é a verdade, honestamente. Não suporto essa vida. Deus teve que me punir me deixando ter aquele pirralho. Eu queria ter morrido quando ele nasceu. Eu vou matá-lo antes que ele se torne mimado", escreveu Alice em uma carta de 1969.

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Em outro texto datado de duas semanas depois, Alice teria dito que “não queria ser mãe”. "Eu deveria amar meu próprio filho, mas realmente não acho que amo, e, se amasse, eu saberia disso. Sinto como se ele morresse amanhã, eu não me importaria."

O detalhamento médico no processo alega que "Earl Dwayne estava mole e ofegante" quando foi levado ao hospital em janeiro de 1970. "Ele foi imediatamente transferido para o Lake Charles Memorial Hospital, onde foi radiografado. Os raios X revelaram múltiplas fraturas no crânio e no ombro direito."

Embora o médico da criança tenha argumentado que os ferimentos encontrados não eram consistentes com uma queda de berço, a mãe negou ter feito qualquer coisa contra o filho. Alice foi acusada de homicídio de segundo grau e presa no Centro Correcional de Calcasieu Parish sob fiança de US$ 950 mil, onde permanece atrás das grades. 

 

postado em 01/04/2025 18:07
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